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Avanço do mar diminui faixa de areia, causa prejuízos e preocupa frequentadores e moradores de Itamaracá

12 out 2021|Postado em:RECIFE

A praia do Sossego é um dos locais paradisíacos da Ilha de Itamaracá, no Grande Recife, conhecida pelas belezas naturais. No entanto, nesta terça-feira (12), o cenário local era de coqueiros caídos, restos de antigos imóveis e faixa de areia mais estreita devido ao avanço do mar.

Os coqueiros foram arrancados praticamente do jardim das residências na orla e, mesmo com maré alta, é possível ver uma ilhota que surgiu em frente à praia perto do Rio Jaguaribe.

A situação é vista também em outras áreas de ilha e comerciantes relatam prejuízos. Alguns improvisaram contenções por conta própria, usando sacas de areia ou pedras para evitar que a água do mar invada pousadas ou bares.

A prefeitura afirma estar atenta e que, ainda em outubro, começam obras para instalar barreiras com troncos de coqueiro peto do Forte Orange .

O professor Roberto Montezuma, do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), disse que lidar com o aumento do nível do mar exige uma cooperação entre diferentes entes e mudança da forma como lidamos com as cidades.

Prejuízos

 

Dono de pousada, Rubens Alves disse que a situação da praia do Sossego não ajuda na economia local. “O grande ‘bum’ daqui é a beleza natural, mas a gente está sofrendo com esse processo, infelizmente”, declarou Alves.

Frequentadores da ilha que costumavam caminhar pela areia para ir de uma praia a outra relataram à Globo dificuldade no percurso, com pedidos para passar pela casa das pessoas e preocupação com pedras.

Dono de bar, Fábio Coronel contou que viu colegas desistirem de manter os estabelecimentos nas proximidades do Forte Orange. Ele mesmo precisou mudar o bar para outro ponto da orla para evitar perdê-lo.

“Aqui tinham dez bares e, com o avanço do mar, o pessoal foi tirando de tanto que o mar veio e levou. Foi recuando, recuando. Agora, só temos dois. Teve um avanço muito grande, uns 20 metros”, contou.

Do antigo píer perto do forte, sobraram apenas as estruturas. Um dos bares que resiste na região colocou sacas de areia para conter o avanço, mas vizinhos afirmam que a solução é provisória e a preocupação é grande.

Apesar de ainda ter coqueiros, é possível ver as raízes de fora nesse trecho da orla. Marcos do Kitesurf contou que teve que recuar o comércio dele várias vezes.


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“Perdemos gramado, que era onde a gente montava os ‘kites’. A estrutura de contêiner também teve que ser recuada por conta do avanço do mar. A gente tem que estar o tempo todo se refazendo”, relatou.

Projeto de contenção

 

O próprio Forte Orange vem sentindo os efeitos do avanço do mar, que bate com força contra os paredões na maré alta, segundo a prefeitura.

O secretário de Meio Ambiente de Itamaracá, Eduardo Galvão, explicou que foi criado um comitê com representantes do governo do município e do estado, além dos da Superintendência do Patrimônio da União, para lidar com o avanço do mar na ilha.

“A gente criou um projeto que já está licenciado para proteger a parte dos comerciantes. É uma barreira feita com troncos de coqueiro e, por trás dela, vem uma manta que evita que o mar bata nas sacas de areia”, explicou o secretário.

O projeto foi inspirado em uma solução aplicada na Praia de Carneiros, em Tamandaré, no Litoral Sul, e a expectativa da prefeitura é levá-lo para outras áreas da ilha. “Aqui no Forte Orange começa no dia 17 [a instalação da barreira], uma parceria do poder municipal com os comerciantes daqui. A SPU autorizou o trabalho a ser feito”, contou.

Problema global

 

O aumento do nível do mar é um problema que precisa ser pensado de maneira global e local ao mesmo tempo, segundo Roberto Montezauma, que também é o coordenador do evento Recife Exchange Netherlands, fórum internacional que acontece de maneira virtual e busca analisar e discutir estratégias sobre a elevação do nível do mar no Recife e nos Países Baixos.

“Pensar global e agir local é tão importante quanto pensar local e agir global. É preciso pensar a cidade como uma célula. […] A forma de ocupação, a forma de vida dessas cidades impacta no planeta. O homem é responsável pelo que está acontecendo”, destacou o professor.

Segundo o Painel Intergovernamental das Mudanças Climáticas da ONU (IPCC), Recife é a capital mais ameaçada do Brasil e a 16ª cidade mais ameaçada do planeta pelas mudanças climáticas com o aumento do nível do mar, explicou Montezuma.

“Todas as cidades costeiras brasileiras estão em risco. O Recife foi escolhido por ter um rico patrimônio muito perto do litoral”, apontou o professor, lembrando que esse patrimônio poderia desaparecer com a subida da água.

Para ele, a solução passa por mudar a forma de pensar e focar em sustentabilidade, com menos concreto impedindo absorção da água pelo solo. O professor lembrou que, 200 anos atrás, cerca de 5% da população mundial vivia em cidade, índice que atualmente gira em torno de 55%.

“A luta sustentabilidade será perdida ou ganha nas cidades. Quem produz o drama da mobilidade? Somos nós. Quem produz a poluição? Nós. Nós temos que mudar. Os dirigentes têm que mudar, mas nós temos que mudar também. Precisamos viver e a nossa saída será planetária”, disse.

Veja a matéria completa (com vídeos) no G1 PE
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