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Pesquisadores da UFPE descobrem osso de dinossauro mais antigo já achado no Nordeste

2 jul 2022|Postado em:Notícias


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Um grupo de pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) descobriu, durante uma escavação, os ossos do dinossauro mais antigo já encontrado no Nordeste brasileiro. O segmento de vértebra da cauda foi encontrado na Formação Aliança, próxima ao município de Ibimirim, no Sertão do estado.

Trata-se de um dilofossauro, um dinossauro bípede e carnívoro com uma crista óssea dupla e delgada sobre o crânio. Eles podiam ter mais de seis metros de comprimento e pesar até 750 quilos.

O achado ocorreu em 2019, mas a equipe levou quase três anos para analisar mais detalhadamente a ossada e confirmar o grupo taxonômico e a provável idade do fóssil.

Os ossos foram medidos e comparados com uma ossada de dilofossauro encontrada nos Estados Unidos. Os resultados são muito similares.

Fóssil do dinossauro mais antigo encontrado no Nordeste brasileiro, descoberto por pesquisadores da UFPE — Foto: Cortesia

Os pesquisadores, agora, querem voltar ao local para fazer novas escavações. O objetivo é tentar encontrar novas ossadas que permitam identificar melhor a espécie de dilofossauro ou encontrar novos dinossauros.

Isso é possível porque o sítio arqueológico era um lago há milhões de anos. Isso significa que os restos de um animal depositados ali não teriam muita chance de escoar ou serem arrastados para outros locais.

“As características do lugar permitiam a preservação dos fósseis. Então, provavelmente o resto daquele animal está ali. A gente pretende voltar e achar mais pedaços. Mas, para isso, é preciso um trabalho muito exaustivo. Temos que fazer trincheira para proteger a área, cavar com cuidado, encontrar os fósseis e levar para análise”, explica Leonardo Marinho, doutorando da UFPE que identificou o dinossauro.

O professor Gelson Fambrini, orientador de Leonardo, explica que a maior expectativa é encontrar outros trechos de ossos, como a mandíbula, que tragam novas informações sobre o bicho estudado. “Imagine que você está estudando a pena de um pássaro. Só com a pena, você pode saber que é uma andorinha, mas não que espécie de andorinha”, compara.

O avanço da pesquisa pode provar que o dinossauro encontrado no interior pernambucano pertence a um grupo raro e primitivo, os neoterópodes basais. Até hoje, apenas três desses fósseis foram identificados no mundo: nos Estados Unidos, na Antártica e na África do Sul.

Especialista em Geologia, Fambrini explica que a presença desse dinossauro em tantos sítios diferentes ao redor do mundo pode ajudar a entender a dinâmica de divisão dos continentes.

“O rompimento da África com o nosso continente começou no Período Jurássico (de 201,3 milhões a 145 milhões de anos antes de Cristo). A discussão é quando no Jurássico. O fato de que o dinossauro foi encontrado em todos esses locais pode ajudar a entender melhor quando houve essa ruptura”, explica Fambrini. Além dos dois, o professor Edison Vicente participou da pesquisa.

Marinho destaca ainda a importância acadêmica desta descoberta. “É o terceiro dinossauro pernambucano. E é o primeiro que está em solo pernambucano. Porque tem outros dois descobertos antes desse. O primeiro, da bacia do Araripe, está na Alemanha. E outro, de uma região próxima à Formação Aliança, está no Rio de Janeiro“, lembra.

Para o professor Fambrini, o maior entrave no momento é a necessidade de recursos para retornar ao local das escavações. Uma expedição prevista para ocorrer em maio teve que ser adiada.

“Estamos no limite. Os alunos estão pagando para trabalhar, viajando com a bolsa deles. O que não é o certo, mas é o que dá para fazer. E eu estou pagando do meu bolso”, lamenta.

Leonardo conta que, ao contrário de outras crianças, não era particularmente fã de filmes e desenhos de dinossauros na infância. Mas reconhece que a descoberta pode ter um papel central para estimular outros jovens a se tornarem pesquisadores no futuro.

“Achar um dinossauro no Nordeste, principalmente do Jurássico, dá uma visibilidade enorme para o jovem que está lá no Ensino Médio, vê os filmes de Jurassic Park e se pergunta se poderia estudar isso. É uma luz para a paleontologia. E é um sinal de que é possível fazer uma ciência de boa qualidade no Brasil”, argumenta o pesquisador.

Fonte: g1 PE

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