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Primeiro acervo de cinema trans brasileiro é criado em Pernambuco

8 jul 2021|Postado em:RECIFE

 

‘Frervo’ é um dos representantes pernambucanos no acervo, que compila obras de todo o país (Foto: Divulgação)

Apesar das dificuldades de investimento e divulgação, o cinema feito por pessoas trans existe em quantidade maior do que muitos sabem. É com o intuito de encontrar e promover essas obras que foi lançado, na última quarta-feira (30), o primeiro acervo virtual de cinema trans brasileiro, batizado de Tela Trans. O projeto tem origens pernambucanas e foi idealizado pela travesti Caia Maria Coelho e pela pessoa não-binária Pethrus Tibúrcio, após uma pesquisa de mais de cinco anos sobre o tema.

 

O acervo, incentivado pela Lei Aldir Blanc, pode ser acessado gratuitamente pelo site www.telatrans.com.br. Até agora, já foram levantados cerca de 140 filmes de diversos formatos: curtas, médias e longas-metragens, ficções e documentários, videoclipes, videoartes e videoperformances. O mapeamento também catalogou o perfil de quase 40 realizadores, de vários estados brasileiros. Considerando todos os registros sobre essa produção, o filme mais antigo no catálogo até o dia de lançamento é Superstição, curta realizado pelo homem trans negro paulista Tiely em 2002.

O número de produções, porém, está em constante crescimento. A ideia do Tela Trans é que a plataforma seja construída colaborativamente, sempre recebendo indicações e inscrições de pessoas trans, cinéfilas, curadoras e pesquisadoras. Qualquer um que quiser incrementar a vitrine do projeto pode preencher uma ficha de registro no próprio site e anexar a sua obra para que mais pessoas tenham acesso a ela.


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Mais do que disponibilizar, a plataforma tem o objetivo de catalogar essa produção. “O Tela Trans será, primeiramente, um mapeamento feito para indicar que esses filmes existem, embora, muitas vezes, ignorados pelos circuitos de festivais. Alguns deles estão disponíveis no nosso acervo, e os que ainda não estão contam com uma página que serve como um indicativo de que eles existem e estão em circulação”, explica Caia Coelho.

O Recifest, o Fincar e a Semana do Audiovisual Negro são alguns exemplos de festivais pernambucanos que ajudam no fortalecimento dos debates sobre gênero, sexualidade, raça e classe. Contudo, para Pethrus, é preciso demandar ações para a exibição além dos festivais tidos de nicho. “Isso pode se dar de algumas formas: inclusão de pessoas trans nas curadorias e equipes de produção, diálogos com entidades para formação de novos públicos, criação de espaços de formação voltados para pessoas trans, etc. O fato é que os espaços de exibição precisam urgentemente reconhecer isto como uma prioridade”, defende.

Na plataforma, as obras podem ser filtradas por raça e etnia, além do foco na representatividade dos vários gêneros trans (travesti, não-binárie, transmasculino). Na divisão regional, Pernambuco tem como alguns de seus representantes o curta experimental Tornar-se Monstra ou Humana?, de Catarina Almanova, e o documentário Frervo, da artista não-binária Libra.

Violência

O lançamento chega coincidentemente em um momento no qual Pernambuco tem testemunhado uma série de casos de violência brutal contra mulheres trans e travestis no estado. Ainda que a arte amenize o apagamento simbólico dessas pessoas, existe uma estrutura transfóbica a ser combatida a priori. “Há um genocídio em curso e portanto são muitas as frentes de luta. No momento, uma coalizão de movimentos sociais trans e feministas está dialogando com o Poder Legislativo e Executivo, reivindicando o nosso direito à vida e à cidade. Só é possível pensar nas condições de vida e possibilidades criativas para nossa população se antes estivermos vivas”, afirma Caia Coelho.

 

Fonte: Diario de Pernambuco

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