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Monumento aos Heróis da Batalha dos Guararapes será entregue restaurado ao Recife nesta sexta

16 dez 2021|Postado em:RECIFE

 

Monumento aos Heróis da Batalha dos Guararapes será entregue restaurado ao Recife nesta sexta

Leandro de Santana/ DP Foto

O Recife recebe de volta, nesta sexta-feira (17), o Monumento aos Heróis da Batalha dos Guararapes, de autoria do artista plástico pernambucano Francisco Brennand. A cerimônia começa às 11h, na Via Mangue, no Pina, próximo ao antigo aeroclube. Será a conclusão de um trabalho que o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) iniciou há dois anos, quando, em dezembro de 2019, fez a primeira inspeção ao monumento, ainda em seu local de origem no girador da Rodovia BR 232 (Praça Camilo Pereira Carneiro), no bairro do Curado. A solenidade de entrega do monumento encerra as comemorações da Semana do MP em 2021. A partir daí, se iniciaram as tratativas com empresas e entidades públicas para fechar os acordos sobre novo local de instalação, patrocínios e serviços de restauração e transposição das peças que compõem o monumento.

“Eu tinha um inconformismo particular com a situação de descaso e depredação em que se encontrava o Monumento aos Heróis da Batalha de Guararapes. Antes mesmo de ingressar no MPPE, já pensava em como fazer algo para impedir o total desrespeito e perecimento de um patrimônio artístico e histórico de Pernambuco”, lembrou o promotor de Justiça José da Costa Soares, responsável pelo Acordo Extrajudicial e Resolutivo, que reuniu na Sede da Procuradoria-Geral de Justiça, em setembro de 2020, representantes das empresas e entidades que aceitaram o desafio de revitalizar a obra. “Optei pela saída consensuada e resolutiva, em detrimento da judicialização da questão, procurando envolver e conscientizar as empresas e instituições para que esse difícil trabalho pudesse ser realizado”, descreveu o promotor de Justiça.

Uniram-se no objetivo, a empresa Concrepoxi Engenharia Ltda, Instituto Histórico Arqueológico e Geográfico de Pernambucano, Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), Instituto Francisco Brennand, Polícia Militar de Pernambuco, a Companhia Hidroelétrica do São Francisco (CHESF) e a Autarquia de Manutenção e Limpeza Urbana do Recife (Emlurb).

Cada entidade ficou responsável por obrigações definidas na recuperação do monumento. O DNTI o doou à Cidade do Recife. O patrocínio ficou a cargo da CHESF. A Concrepoxi Engenharia assumiu a remoção, restauro e requalificação do monumento. O Instituto Francisco Brennand garantiu a originalidade e a autenticidade integral da obra, fabricando três novas cabeças dos guerreiros que foram destruídas pelo vandalismo. Os serviços de infraestrutura de base e de instalação elétrica ficaram a cargo da Emlurb. Já o Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano doou a placa descritiva do fato histórico, que ficará anexada ao monumento. A Polícia Militar se encarregará de proteger do monumento contra a ação de criminosos e vândalos após sua inauguração.

Todo o processo de restauro das peças foi feito por profissionais especializados, que atuaram desde a sua retirada do monumento original, remoção da argamassa de fixação das placas cerâmicas, restituição precisa das faces das placas, para, enfim, proceder a restauração da face vitrificada. Essa fase consiste na reintegração e pintura, buscando um resultado o mais próximo possível, de modo a não perder os aspectos cromáticos característicos do estilo artístico de Francisco Brennand.

“Foi um trabalho muito difícil e minucioso a remoção dos painéis artísticos de cerâmica, por causa da maneira como estavam assentados na estrutura original. As peças são grossas e pesadas. Além do mais, foi utilizada para seus assentamentos uma argamassa com altíssimo teor de cimento, o que implicou em uma absoluta aderência no seu substrato. Mas conseguimos retirá-las por dentro do monumento, com o mínimo de danos possível”, afirmou a sócia-administradora da Concrepoxi Engenharia, Regina Gaudêncio.

Já as três esculturas que ficam em cima do monumento tiveram suas cabeças danificadas reconstruídas e só foram removidas e reimplantadas quando a nova base de concreto, na Via Mangue, foi concluída, devido ao tamanho (1,90m) e ao peso (1,5 ton) de cada uma. Elas representam os heróis da Batalha dos Guararapes André Vidal de Negreiros, Henrique Dias e Antônio Filipe Camarão.

A filha do artista Francisco Brennand, Conceição Brennand, durante o acompanhamento dos trabalhos de restauração, se mostrou bastante empolgada e surpresa com o resultado. “Eu vejo um milagre nessa recuperação. O trabalho foi preciso e muito bem-feito”, atestou. Segundo ela, até o próprio Francisco Brennand dizia que a restauração do monumento era impossível, devido à complexidade da obra, com suas figuras em relevo sobre as cerâmicas.

História

A Batalha dos Guararapes foi a luta armada que durou de abril de 1648 a fevereiro de 1649, no Monte dos Guararapes, região do município de Jaboatão dos Guararapes. Ela envolveu os luso-brasileiros e o exército invasor holandês pelo domínio da região Nordeste do Brasil. É considerada um marco simbólico quanto à origem de um sentimento de patriotismo e de nacionalismo brasileiro. Decisiva, portanto, para a formação da identidade da pátria brasileira.

A obra Monumento aos Heróis da Batalha dos Guararapes é datada do ano de 1980. Encontrava-se abandonada, pichada, fragmentada, sem manutenção, de difícil acesso, cercada por mato sem capinação. Além de recuperada, a obra estará iluminada e posta em local de destaque. Assim voltará a ser apreciada pelo povo recifense, com a memória de Francisco Brennand homenageada e em reverência aos dois anos da morte do artista, a serem completados em 19 de dezembro deste ano.

Exposição –  O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) lançou, no dia 9 de dezembro, a exposição fotográfica Tríplice Reparação: retratos da restauração, requalificação e transplante do Monumento aos Heróis da Batalha dos Guararapes. A mostra estará disponível para visitação até fevereiro de 2022 na galeria no térreo do Centro Cultural Rossini Alves Couto, no Recife.

Com acervo documental e registros fotográficos feitos pela Assessoria Ministerial de Comunicação Social (AMCS), pela empresa Concrepoxi, e pelo promotor de Justiça José da Costa Soares, a exposição apresenta todos os passos da cooperação institucional que permitiu a retirada das peças do artista Francisco Brennand de seu local original, às margens da BR-232, sua requalificação e posterior transferência para a Via Mangue.

 

Fonte: Diario de Pernambuco

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