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Veterinária usa óleos essenciais e aromaterapia para acalmar e tratar bichos no zoológico do Recife

26 mar 2022|Postado em:RECIFE

Hellen Macedo se formou médica veterinária em 2008. Na faculdade, ela aprendeu a tratar, medicar e até a operar os animais. No entanto, com mais de dez anos de profissão, foi na aromaterapia que ela encontrou algumas das ferramentas mais utilizadas por ela no tratamento dos bichos do Zoológico de Dois Irmãos, na Zona Norte do Recife (veja vídeo).

A aromaterapia é uma técnica que utiliza óleos essenciais, líquidos extremamente concentrados que são extraídos de plantas. De forma terapêutica, os aromas são utilizados de forma preventiva e para tratar sintomas físicos e psicológicos.

Os óleos são colocados em difusores de ambiente e, em alguns casos, têm as gotas pingadas nos habitats dos animais. Cremes também podem ser utilizados.

Um dos pacientes é a arara-canindé Fred, uma fêmea que, quando filhote, sofreu uma fratura na cabeça e cresceu com uma má formação no bico. O bicho, devido ao trauma, sequer deixava que alguém tocasse na cabeça dele. Agora, segundo a veterinária, até pede cafuné.

“A gente tem que reduzir a carga de estresse pelo barulho das pessoas, pelo próprio ambiente de estar preso, não ter aquele céu para voar. Ela teve uma fatura na base do bico, que cresceu meio tortinho. Uma narina ficou disfuncional, só tem uma narina funcional para respirar. Vi que a secreção ocular reduzia bastante. É como se desentupisse”, explicou.

Hellen disse que escolhe os óleos essenciais de acordo com a necessidade dos bichos. O óleo de lavanda é um dos mais utilizados, por ter propriedades calmantes. Foi o caso de uma onça-pintada que, estressada, tinha costume de morder a si mesma.

“Nesse caso, tivemos que colocar as gotinhas no próprio recinto dela, em locais estratégicos. Ela ficou muito calma, ficou bem zen mesmo. E eu vi que o efeito foi duradouro, de uns três dias, mais ou menos. Eu costumo utilizar principalmente os óleos de lavanda, laranja e hortelã-pimenta. Cada um tem uma ação terapêutica específica”, afirmou.

A aromaterapia era usada por Hellen de forma empírica. Ela recorria aos óleos para tratar a si mesma e, durante uma viagem à Austrália, decidiu se especializar no assunto. A veterinária morou um ano no país da Oceania para aprender inglês e, de lá, viajou para Portugal.

“Fiz um curso no Instituto Português de Naturologia. Lá, as técnicas eram voltadas para humanos, mas eu queria trazer para o uso veterinário, porque eu já utilizava técnicas da medicina tradicional chinesa, como acupuntura. Passei um ano lá e, ao concluir, vim para Pernambuco”, declarou.

O plano de Hellen era passar poucos meses no Brasil e, depois disso, voltar à Austrália para um doutorado. Tudo mudou quando chegou a pandemia, que obrigou países a fecharem fronteiras e sacudiu a vida da veterinária.

“Na minha cabeça, eu viria, passaria quatro ou cinco meses, até passar no doutorado. A pandemia mudou tudo. Em 2021, diante do cenário, fiz um concurso para trabalhar no zoológico. Minha nomeação saiu em outubro e, desde então, tenho trabalhado com os animais silvestres de lá”, disse.

Para Hellen, a inspiração de utilizar a aromaterapia nos animais vem de trabalhos já realizados com equinos, como cavalos. No entanto, segundo ela, nem todos os óleos podem ser utilizados para qualquer animal.

“Eu fiz o curso para pegar a base científica e aplicar nos animais. Fui vendo a literatura, trabalhando em artigos científicos, vendo que trazia resultados. Mas tem óleos que podem causar intoxicação, tanto em humanos quanto em animais. Tem que ter muito cuidado”, afirmou.

Vida saudável

 

Segundo o presidente da comissão de clínicos de animais do Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV) e diretor da Associação Nacional de Médicos Veterinários, Rogério de Holanda, existem três pilares básicos para se manter uma vida feliz e saudável entre os animais, sejam domésticos ou silvestres: socialização, alimentação e enriquecimento ambiental.

Ele, que tem pós-graduação em comportamento animal e em dermatologia, disse que o comportamento animal ainda é pouco estudado e que os bichos são bastante mal interpretados na vida entre humanos.

No caso da alimentação, é preciso manter uma alimentação saudável que seja o mais natural possível. O pilar de socialização é necessário porque, em vida livre, os animais costumam viver em bandos, em contato com outros da mesma espécie. A aromaterapia entra como forma de enriquecimento ambiental.

“A aromaterapia supre o déficit dos três pilares. É um elemento, como quando a gente dá picolés para eles se distraírem, bota comida embaixo de uma toca para caçarem, para que eles gastem energia mental. A aromaterapia diminui os níveis de estresse, mas deve ser utilizada em complemento com os outros pilares para manter a vida saudável dos animais”, explicou o veterinário.

Rogério de Holanda também afirmou que é possível utilizar da aromaterapia e de outras técnicas de enriquecimento ambiental dentro de casa, com os animais domésticos.

“Isso muda a vida dos pets, se a gente entendesse melhor o comportamento deles. Nos hospitais, 99% dos cães e gatos que recebemos vêm por manejo inadequado e por alimentação inadequada. Se todos os bichos tivessem os três pilares equilibrados, teriam uma vida muito mais saudável e longeva”, afirmou.

Fonte: g1 PE

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